O relato é conduzido por Nael, filho da serviçal de uma abastada
família libanesa integrada pelos irmãos gêmeos Yaqub e Omar, de
naturezas distintas, unidos por um ódio avassalador. A princípio, a
história parece estar centrada na relação entre ambos, mas logo se
percebe que ela é apenas um pretexto para que o narrador encontre a si
mesmo, a partir da descoberta de sua real paternidade.
Sua mãe, Domingas, nutrira no passado uma intensa paixão por Yaqub,
filho honesto e dedicado ao trabalho, mas fora estuprada violentamente
por Omar, figura agressiva e contraditória, desprovida de qualquer traço
de responsabilidade. Assim, torna-se um enigma para Nael saber quem é
seu pai, se ele é fruto do amor ou da violência.
Tudo se passa em uma residência situada em um bairro próximo ao porto
de Manaus. Aí o narrador presencia as tramas urdidas no seio de uma
família importante, que envolvem afetos ardentes, revanche,
relacionamentos perigosos. O leitor entra em contato com este universo
através do ponto de vista de Nael, que tudo vê da ótica de sua própria
classe social, que molda nitidamente sua vivência cultural.
É assim que o leitor é apresentado ao chefe da família, Halim, que se
esforça para encontrar as respostas mais corretas diante dos impasses
familiares; à matriarca Zana, que não oculta sua predileção por Omar; à
irmã Rânia, que mantém uma ambígua relação com os irmãos; à singela e
generosa Domingas, mãe de Nael.
O enredo tem início com o retorno de Yaqub, que na adolescência fora
sacrificado pela família, afastado aos treze anos do convívio familiar
para que o confronto entre ele e Omar fosse atenuado. Esta decisão marca
definitivamente a vida deste personagem, preterido em prol do irmão.
Apesar de tudo, porém, o rapaz progride profissionalmente e contrai
matrimônio com Lívia, antigo amor dos dois irmãos, o que agrava o
conflito entre ambos. Nael, por sua vez, impedido de estudar pelo
esforço de sobrevivência, é marcado pela condição de bastardo e mantém a
idéia fixa de desvendar sua paternidade.
Milton Hatoum volta ao romance com um drama familiar em cujo centro
estão dois filhos de imigrantes libaneses: os gêmeos Yaqub e Omar. O
enredo do romance trata, basicamente, do (não) relacionamento entre os
irmãos.
Narrado em primeira pessoa, a história se passa em Manaus de 1910 a
1960. Os dois irmãos nunca se entendem, até que Yaqub é obrigado a ir
para o Líbano. Quando volta, cinco anos depois, sente-se deslocado
dentro de sua própria família, enquanto as intrigas continuam. Aliás, o
sentimento de deslocamento é o que sustenta a narrativa, e traz o drama
familiar para a esfera do universal.
Segundo Hatoum, o imigrante é um sujeito dividido, sofre de uma espécie
de dualidade do lar, da pátria. Nesse sentido, os dois irmãos funcionam
como uma metáfora dessa dualidade. Um se identificando mais com o
Brasil e o outro se sentindo estrangeiro, diferente, muitas vezes sendo
referido apenas como “o outro” pelo Narrador, que, por sua vez, também
é um deslocado, filho da empregada com um dos gêmeos, mas sem saber
qual deles.
Entre esse duelo fraternal, Hatoum ainda constrói a dificuldade de um
homem apaixonado pela esposa, que perde a atenção dela para os filhos;
um filho bastardo que tenta descobrir qual dos gêmeos é seu pai; a
história do imigrante de origem árabe no Brasil e a expansão comercial
da região norte; e o retrato de uma sociedade pequeno burguesa, que se
mostra tão previsível no norte do Brasil, quanto na França, dos
escritores de grande influência para o autor manauara, Flaubert e
Balzac (juntamente ao norte-americano William Faulkner).
No início do século XX, Manaus, a capital da borracha, recebeu
estrangeiros como o jovem Halim, aprendiz de mascate, e Zana, uma
menina que chegou sob a asa do pai, o viúvo Galib, dono de um
restaurante perto do porto. Halim e Zana vão gerar três filhos: Rânia,
que não vai casar nunca, e os gêmeos Yaqub e Omar, permanentemente em
conflito. O casarão que habitam é servido por Domingas, a empregada
índia, e mais tarde também pelo filho de pai desconhecido que ela terá.
Esse menino — o filho da empregada — será o narrador.
Fonte: http://pt.shvoong.com/books/novel-novella/1765277-livro-dois-irm%C3%A3os-milton-hatoum/#ixzz2DNFF0rSt
Milton Hatoum volta ao romance com um drama familiar em cujo centro
estão dois filhos de imigrantes libaneses: os gêmeos Yaqub e Omar. O
enredo do romance trata, basicamente, do (não) relacionamento entre os
irmãos.
Narrado em primeira pessoa, a história se passa em Manaus de 1910 a
1960. Os dois irmãos nunca se entendem, até que Yaqub é obrigado a ir
para o Líbano. Quando volta, cinco anos depois, sente-se deslocado
dentro de sua própria família, enquanto as intrigas continuam. Aliás, o
sentimento de deslocamento é o que sustenta a narrativa, e traz o drama
familiar para a esfera do universal.
Segundo Hatoum, o imigrante é um sujeito dividido, sofre de uma espécie
de dualidade do lar, da pátria. Nesse sentido, os dois irmãos funcionam
como uma metáfora dessa dualidade. Um se identificando mais com o
Brasil e o outro se sentindo estrangeiro, diferente, muitas vezes sendo
referido apenas como “o outro” pelo Narrador, que, por sua vez, também
é um deslocado, filho da empregada com um dos gêmeos, mas sem saber
qual deles.
Entre esse duelo fraternal, Hatoum ainda constrói a dificuldade de um
homem apaixonado pela esposa, que perde a atenção dela para os filhos;
um filho bastardo que tenta descobrir qual dos gêmeos é seu pai; a
história do imigrante de origem árabe no Brasil e a expansão comercial
da região norte; e o retrato de uma sociedade pequeno burguesa, que se
mostra tão previsível no norte do Brasil, quanto na França, dos
escritores de grande influência para o autor manauara, Flaubert e
Balzac (juntamente ao norte-americano William Faulkner).
No início do século XX, Manaus, a capital da borracha, recebeu
estrangeiros como o jovem Halim, aprendiz de mascate, e Zana, uma
menina que chegou sob a asa do pai, o viúvo Galib, dono de um
restaurante perto do porto. Halim e Zana vão gerar três filhos: Rânia,
que não vai casar nunca, e os gêmeos Yaqub e Omar, permanentemente em
conflito. O casarão que habitam é servido por Domingas, a empregada
índia, e mais tarde também pelo filho de pai desconhecido que ela terá.
Esse menino — o filho da empregada — será o narrador.
Fonte: http://pt.shvoong.com/books/novel-novella/1765277-livro-dois-irm%C3%A3os-milton-hatoum/#ixzz2DNFF0rSt
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